quarta-feira, 22 de julho de 2020

Frase Inspiradora:

"Esse reconhecimento não é apenas um resultado racional da investigação historiográfica ou crítica de valores formais, mas de uma percepção sensível, de um diálogo silencioso, de uma compreensão e de um respeito mudo pelo que a obra deseja falar e não apenas do que desejamos falar através dela."


Kruchin, Samuel
Kruchin, uma poética da história: obra de restauro
pag. 21

Postado por Cristiane Py

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Segue a Dica: Dicionário Corona & Lemos e o Manual Prático do Gestor de Restauro

Ontem passei o dia analisando um memorial descritivo de um projeto de restauro para uma fachada dos anos 1920 em estilo eclético.

Com esse trabalho tive a confirmação que conhecer os termos da nossa arquitetura é imprescindível para a realização de um bom projeto de restauro e para a execução da obra. Todos os envolvidos, sejam eles arquitetos, engenheiros, estagiários ou encarregados, devem conhecer essa nomenclatura.

Confesso que não sabia exatamente o que alguns termos significavam, por isso sempre tenho a tira colo o livro Dicionário da Arquitetura Brasileira dos autores Corona e Lemos e o Manual Prático que os alunos do curso de Gestão e Prática de Obras de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural Edificado produzem durante o curso do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada - CECI.

O dicionário, publicado inicialmente em fascículos pela revista Acrópole, teve sua primeira edição no início dos anos 1970 e foi esgotado em poucos meses. A boa notícia é que o livro foi reeditado em 2017, podendo ser adquirido mais facilmente e por melhor preço.

Fica aqui a dica!

Dicionário da Arquitetura Brasileira
Dicionário da Arquitetura Brasileira
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI

*imagens da autora
Postado por Cristiane Py


terça-feira, 30 de junho de 2020

Os locais de rememoração em Soweto - Memorial e Museu Hector Pieterson

Alguns locais de rememoração na cidade de Soweto na África do Sul abrigam hoje memoriais e museus que nos contam um pouco da história da África do Sul nos tempos do Apartheid (regime de segregação racial que perdurou de 1948 até 1994).

Soweto foi uma região estabelecida em 1963 para abrigar a população negra, pois as leis do Apartheid não permitiam que negros morassem em áreas reservadas para brancos. 

Foco de resistência anti-racista a região presenciou vários confrontos entre moradores e polícia.

Em 1976, durante uma passeata de estudantes que reivindicavam melhores condições educacionais e contra algumas medidas tomadas pelo governo em relação às escolas das crianças negras, ocorreu um confronto com a polícia que ficou conhecido mundialmente como o Levante do Soweto, aonde dezenas (algumas estatísticas calculam centenas) de jovens foram mortos. Hector Pieterson de 13 anos foi uma das crianças baleadas e mortas.

Atualmente próximo ao local do Levante encontramos o Memorial e Museu Hector Pieterson.


"O Memorial e Museu Hector Pieterson é dedicado para preservar a memória do Levante do Soweto de 1976. O museu abriga uma coleção de testemunhos orais, fotografias, audios visuais e documentos históricos."

UNESCO
tradução livre da autora


Memorial Hector Pieterson. A esquerda imagem publicada mundialmente na época do confronto que se tornou a imagem do confronto. Hector Pieterson sendo carregado por outro jovem e sua irmã.
A esquerda da imagem temos a foto publicada mundialmente na época do Levante.
Hector sendo carregado por outro jovem e sua irmã ao lado.

Memorial Hector Pieterson 

Memorial Hector Pieterson 






*imagens da autora

Postado por Cristiane Py
 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Frase Inspiradora:

"Lidar com o passado pressupõe, em termos físicos, arquitetônicos, trazer o passado para o presente."

Casa Mario de Andrade
Habitação e modos de morar dos paulistanos do Século XX
Curso on line ministrado pelo Prof. Fernando Atique pela plataforma google meet em maio de 2020


Postado por Cristiane Py

segunda-feira, 25 de maio de 2020

O Navio de Teseu sobre o olhar dos pensadores da restauração

Durante o curso de Gestão e Prática de Obras de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural Edificado do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada - CECI  foi aberto um fórum de debate sobre a Lenda do Navio de Teseu.

Essa lenda há séculos gera discussões filosóficas por causa do seu paradoxo. 

Vamos tentar adaptar e resumir a história sobre o ponto de vista da restauração.

O navio de Teseu sempre que chegava ao porto passava por manutenção tendo algumas peças trocadas. As pecas removidas eram guardadas. Após algum tempo, todas as peças do navio já tinham sido substituídas. Foi então que decidiram montar um outro navio com as peças que haviam sido removidas.

Foram feitas então as seguintes perguntas no Fórum:

1 - Qual dos dois navios é o navio de Teseu? 

2 - Qual é o navio autêntico?

Para responder essas perguntas fiz uma rápida análise considerando o olhar de alguns pensadores da restauração. Compartilho aqui com vocês.

Para o teórico inglês John Ruskin, o navio reconstruído dos fragmentos e pregos deteriorados seria o navio verdadeiro de Teseu. Segundo Ruskin:

“... não se importe com a má aparência dos reforços: é melhor uma muleta do que um membro perdido [...]. Seu dia fatal por fim chegará; mas que chegue declarada e abertamente, e que nenhum substituto desonroso e falso prive o monumento das honras fúnebres da memória”.

Mas analisando pela teoria antagônica de Le duc, o navio verdadeiro seria o novo. Para o arquiteto francês a importância de manter o uso do patrimônio era uma das principais premissas da sua teoria. Vejam abaixo.

“...Nas restaurações, há uma condição dominante que se deve ter sempre em mente. É a de substituir toda parte retirada somente por materiais melhores e por meios mais eficazes ou mais perfeitos.”

Caminhando no tempo chegamos em Alois Riegl. O historiador e estudioso austríaco nomeou valores para o patrimônio. São eles:

- Valor de memória (valor de antiguidade e valor histórico) 
- Valor de atualidade (valor de uso e valor de novidade) 

Vejam que os valores nomeados por Riegl não estão presentes em apenas um navio, mas nos dois, entãopara Riegl, os dois navios são importantes para a análise da questão. O que poderá determinar a escolha de qual navio é o autêntico será o olhar no momento da análise respeitando o Kunstwollen da época. Seguindo a teoria de Riegl, nenhum dos navios poderiam ser descartados pois a opção escolhida poderá não ser a mesma nas gerações futuras.

Já nas teorias contemporâneas e analisando pelo olhar de Salvador Muñoz Viñas, temos:

“Uma boa restauração (intervenção) é a que satisfaz o maior número de sensibilidades.”

Seguindo esse olhar nos fazemos as perguntas:

Qual navio satisfaz o maior número de sensibilidades?
O reconstruído satisfaz as sensibilidades daqueles que preservaram as peças e reconstruíram o barco, daqueles que não mais navegam?
O novo satisfaz as sensibilidades daqueles que continuam ou sonham em navegar?
Qual sensibilidade pesa mais na balança?

Depois dessa breve análise cheguei a seguinte conclusão:

O navio reconstruído dos fragmentos simboliza as aventuras que Teseu enfrentou, mas o novo navio permite que o herói continue sua saga. Os dois navios são os verdadeiros. 

Mais interessante ainda é que com Teseu continuando suas viagens, o navio continuará tendo peças trocadas e outros navios poderão ser reconstruídos. Teremos, além do navio que navega, mais um, dois , três ... navios reconstruídos, todos eles representando um determinado momento da história de Teseu ou seja, descartar um significa apagar determinado período da sua história.

Os navios ficam fora de contexto se os analisarmos separadamente, pois um complementa o outro. Um navio apenas não conta a história completa do Mito. Precisamos de todos os navios. 

Respondendo então às questões:

1- Os dois navios pertencem a Teseu. O navio da memória e o navio do herói.
2- A leitura dos dois navios juntos é que dá a autenticidade à figura simbólica do mito. Se descartamos um, indiferente de qual, corremos o risco de perder parte de sua história e consequentemente o mito.

* imagens da web - acesso em maio 2020

Postado por Cristiane Py

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Yang's School Area - Um projeto de restauro

O vilarejo rural Shangping, localizado na província de Fujian-China e conhecido como aldeia literária cercada por água,  ainda segue os conceitos tradicionais da cultura chinesa. 

Com um amplo projeto de preservação, desenvolvido pelo escritório de arquitetura 3andwich Design / He Wei Studio que englobou não só a restauração de diversas edificações abandonadas de uso agrícola mas também o desenvolvimento de um plano de gestão, esse vilarejo, patrimônio cultural, é hoje um moderno espaço público que atende moradores e visitantes.

A Yang's School Area faz parte desse amplo projeto. Localizada no encontro de dois curso d'agua e em um antigo estábulo/depósito, essa "biblioteca/livraria"  compartilha o saber do vilarejo com os visitantes e o saber de fora com as crianças locais.

O projeto de restauro e revitalização tirou partido da antiga edificação, antes destinada a estábulo e depósito, para criar espaços lúdicos de leitura. 

Abaixo algumas imagens desse projeto e links com mais informações.







Imagens da web - acesso em maio de 2020
Links: 

Postado por Cristiane Py

quarta-feira, 6 de maio de 2020

Frase Inspiradora:

"Saber ler a gramática da Arquitetura, o conteúdo dos sistemas, técnicas, materiais construtivos e as expressões do tempo é atributo fundamental para garantir a autenticidade e integridade da edificação antiga."

Modelagem de composições de preços para a conservação e o restauro
Curso Gestão de Restauro do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada - CECI
Aula on line ministrada pelo Prof. Jorge Eduardo Lucena Tinoco pela plataforma zoom em 05/05/2020

Postado por Cristiane Py