quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Centro de Proteção Ambiental em Balbina e a importância da Conferência de Nara.


Patrimônio cultural do estado do Amazonas, o Centro de Proteção Ambiental em Balbina, de autoria do arquiteto Mario Emílio Ribeiro e do "arquiteto da floresta" Severiano Mário Porto, resgata técnicas tradicionais e regionais que se integram à natureza, ao clima e ao ambiente. 

O projeto consiste em uma complexa cobertura de estrutura de madeira que interliga, através de passarelas, os blocos do conjunto. A forma orgânica não é só predominante na implantação do complexo mas também nos encaixes entre pilares, vigas, caibros e ripas. Outros diferenciais são as telhas, em madeira muirapiranga, e as alvenarias internas que não se encontram com a cobertura permitindo, dessa forma, a livre circulação do ar.

A deterioração da edificação, segundo Guilherme Castro que participou do projeto, já era prevista desde a sua concepção, o que não justifica o estado de ruínas e abandono registrados em 2012 por Marcos Costa.

Olhando a imagem acima não podemos evitar a forte ligação com a arquitetura indígena brasileira e a importância da Conferência de Nara realizada em 1994.


"Num mundo que se encontra cada dia mais submetido às forças da globalização e da homogeneização, e onde a busca de uma identidade cultural é, algumas vezes, perseguida através da afirmação de um nacionalismo agressivo e da supressão da cultura das minorias, a principal contribuição fornecida pela consideração do valor de autenticidade na prática da conservação é clarificar e iluminar a memória coletiva da humanidade."

Conferência de Nara

os encaixes da estrutura

as passarelas
as alvenarias que permitem livre circulação de ar
a cobertura - detalhe para o lanternim
detalhe do beiral

*imagens da web - acesso em jan/2021
Postado por Cristiane Py - www.cristianepy.com.br

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

O 4o Simpósio Científico do ICOMOS Brasil e 1o Simpósio Científico ICOMOS/LAC

O 4o Simpósio Científico do ICOMOS Brasil e 1o Simpósio Científico ICOMOS/LAC, que aconteceria no mês de maio de 2020 na cidade do Rio de Janeiro, foi realizado no mês de novembro via plataforma on line. 

Durante uma semana foram realizadas palestras, conferências, mesas redondas, apresentações de trabalhos e rodas de conversas onde discutiu-se diversas questões relacionadas ao debate contemporâneo do patrimônio latino americano e sua preservação.

Pensamento Decolonial, direitos humanos, gestão do patrimônio e patrimônio e crise (COVID) foram os mais debatidos.

Vou aproveitar o espaço do blog para falar então um pouco sobre Pensamento Decolonial, tão em voga no Simpósio. Aliás, melhor do que escrever, vou compartilhar com vocês dois vídeos aonde a Profa. Rachel Cecília de Oliveira nos explica de forma bem didática o que é o pensamento decolonial e as diferenças entre descolonial e decolonial.

https://www.youtube.com/watch?v=RpEY_aJgYUI

https://www.youtube.com/watch?v=G2HcBCN7yGI



Para ver informações sobre o trabalho apresentado no Simpósio, acesse o link abaixo:


Postado por Cristiane Py

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Frase Inspiradora:

" Vimos igualmente que na maior parte das vezes não estávamos dele [patrimônio] conscientes, porque a educação que recebemos elimina a sua maior parte em nome de critérios acadêmicos e estéticos. Isso porque a sociedade de consumo da qual fazemos parte imprime em nós ideias de valor de mercado, propõe modelos estrangeiros à nossa cultura viva, que assim é desvalorizada. Enfim, porque a existência de administrações culturais em todos os níveis e de instituições culturais poderosas nos convence de que a cultura é alguma coisa à qual se necessita "ter acesso", e não alguma coisa que é nossa, está em nós e em torno de nós."

Hugues de Varine
As raízes do futuro: o patrimônio a serviço do desenvolvimento local.
pag. 43

Postado por Cristiane Py

quarta-feira, 22 de julho de 2020

Frase Inspiradora:

"Esse reconhecimento não é apenas um resultado racional da investigação historiográfica ou crítica de valores formais, mas de uma percepção sensível, de um diálogo silencioso, de uma compreensão e de um respeito mudo pelo que a obra deseja falar e não apenas do que desejamos falar através dela."


Kruchin, Samuel
Kruchin, uma poética da história: obra de restauro
pag. 21

Postado por Cristiane Py

quinta-feira, 9 de julho de 2020

Segue a Dica: Dicionário Corona & Lemos e o Manual Prático do Gestor de Restauro

Ontem passei o dia analisando um memorial descritivo de um projeto de restauro para uma fachada dos anos 1920 em estilo eclético.

Com esse trabalho tive a confirmação que conhecer os termos da nossa arquitetura é imprescindível para a realização de um bom projeto de restauro e para a execução da obra. Todos os envolvidos, sejam eles arquitetos, engenheiros, estagiários ou encarregados, devem conhecer essa nomenclatura.

Confesso que não sabia exatamente o que alguns termos significavam, por isso sempre tenho a tira colo o livro Dicionário da Arquitetura Brasileira dos autores Corona e Lemos e o Manual Prático que os alunos do curso de Gestão e Prática de Obras de Conservação e Restauro do Patrimônio Cultural Edificado produzem durante o curso do Centro de Estudos Avançados da Conservação Integrada - CECI.

O dicionário, publicado inicialmente em fascículos pela revista Acrópole, teve sua primeira edição no início dos anos 1970 e foi esgotado em poucos meses. A boa notícia é que o livro foi reeditado em 2017, podendo ser adquirido mais facilmente e por melhor preço.

Fica aqui a dica!

Dicionário da Arquitetura Brasileira
Dicionário da Arquitetura Brasileira
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI
Manual Prático - CECI

*imagens da autora
Postado por Cristiane Py


terça-feira, 30 de junho de 2020

Os locais de rememoração em Soweto - Memorial e Museu Hector Pieterson

Alguns locais de rememoração na cidade de Soweto na África do Sul abrigam hoje memoriais e museus que nos contam um pouco da história da África do Sul nos tempos do Apartheid (regime de segregação racial que perdurou de 1948 até 1994).

Soweto foi uma região estabelecida em 1963 para abrigar a população negra, pois as leis do Apartheid não permitiam que negros morassem em áreas reservadas para brancos. 

Foco de resistência anti-racista a região presenciou vários confrontos entre moradores e polícia.

Em 1976, durante uma passeata de estudantes que reivindicavam melhores condições educacionais e contra algumas medidas tomadas pelo governo em relação às escolas das crianças negras, ocorreu um confronto com a polícia que ficou conhecido mundialmente como o Levante do Soweto, aonde dezenas (algumas estatísticas calculam centenas) de jovens foram mortos. Hector Pieterson de 13 anos foi uma das crianças baleadas e mortas.

Atualmente próximo ao local do Levante encontramos o Memorial e Museu Hector Pieterson.


"O Memorial e Museu Hector Pieterson é dedicado para preservar a memória do Levante do Soweto de 1976. O museu abriga uma coleção de testemunhos orais, fotografias, audios visuais e documentos históricos."

UNESCO
tradução livre da autora


Memorial Hector Pieterson. A esquerda imagem publicada mundialmente na época do confronto que se tornou a imagem do confronto. Hector Pieterson sendo carregado por outro jovem e sua irmã.
A esquerda da imagem temos a foto publicada mundialmente na época do Levante.
Hector sendo carregado por outro jovem e sua irmã ao lado.

Memorial Hector Pieterson 

Memorial Hector Pieterson 






*imagens da autora

Postado por Cristiane Py
 


segunda-feira, 1 de junho de 2020

Frase Inspiradora:

"Lidar com o passado pressupõe, em termos físicos, arquitetônicos, trazer o passado para o presente."

Casa Mario de Andrade
Habitação e modos de morar dos paulistanos do Século XX
Curso on line ministrado pelo Prof. Fernando Atique pela plataforma google meet em maio de 2020


Postado por Cristiane Py