terça-feira, 29 de março de 2016

Vandalismo X Educação Patrimonial



Semana passada o grande debate na mídia sobre patrimônio e preservação foi a pichação na Igreja de São Francisco de Assis em Belo Horizonte incluindo também como alvo o painel de azulejo do artista Cândido Portinari.

Mais conhecida como a igrejinha da Pampulha, com projeto assinado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e  tombada pelo Órgão Federal de Preservação desde 1947, atualmente a igreja é candidata, junto com o conjunto arquitetônico da Pampulha, à Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

O IPHAN já começou os trabalhos de limpeza e restauração e o responsável pelo ato de vandalismo já foi identificado e indiciado pela polícia civil.

A alegação do infrator perante o ato foi desconhecer o fato da edificação ser Patrimônio Cultural (o que não justifica o vandalismo mesmo sendo em edificações comuns). Surge então, após tal depoimento, a importância da Educação Patrimonial para preservação dos Monumentos Históricos.

Os teóricos do séc XIX, principalmente John Ruskin e Max Dvorak, e as Cartas Patrimoniais do séc. XX já discutiam essa questão.

Na Carta de Atenas de outubro de 1931 temos (grifo meu):

"A conferência profundamente convencida de que a melhor garantia de conservação de monumentos e obras de arte vem do respeito e do interesse dos próprios povos, considerando que esses sentimentos podem ser grandemente favorecidos por uma ação apropriada dos poderes públicos, emite voto de que os educadores habituem a infância e a juventude a se absterem de danificar os monumentos, quaisquer que eles sejam, e lhes façam aumentar o interesse, de uma maneira geral, pela proteção dos testemunhos de toda a civilização."

No Compromisso de Brasília de abril de 1970 temos:

"Sendo o culto ao passado elemento básico da formação da consciência nacional, deverão ser incluídas nos currículos escolares, de nível primário, médio e superior, matérias que versem o conhecimento e a preservação do acervo histórico e artístico, das jazidas arqueológicas e pré-histórcias, das riquezas naturais, e da cultura popular …"

Vale ressaltar que as Cartas Patrimoniais, com base deontológica, não tem caráter normativo, elas indicam e dão diretrizes.

A atuação rápida para limpeza e restauro de um monumento histórico alvo de vandalismo é uma exceção. Abaixo seguirão algumas imagens do meu acervo pessoal mostrando o quanto a falta de educação patrimonial prejudica a preservação dos bens culturais.


Largo da Memória  - São Paulo - SP
Teatro Municipal - São Paulo - SP
base do cruzeiro do conjunto Franciscano -  Olinda - PE
danos causados por ações religiosas

Sobrado com Muxarabis - Olinda - PE
Moita do Engenho Poço Comprido - Vicência - PE
Conjunto Franciscano - Recife - PE



* imagem igreja São Francisco BH - web - acesso em 29-03-2016
* demais imagens - acervo pessoal

por Cristiane Py - www.cristianepy.com.br

2 comentários:

  1. Cris...

    Que massa o blog!!!! Bacana a iniciativa!!!!

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  2. Oi Raquel!

    O espaço está aberto para todos os endereçados na Preservação do Patrimônio.

    Continue nos acompanhando e deixando seus comentários.

    bjs

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