quarta-feira, 23 de março de 2016

Semana Santa - O local onde tudo aconteceu

Salvador Muñoz Viñas, cuja teoria da restauração se baseia principalmente na questão simbólica do patrimônio, diz: 

"Se restaura para satisfazer sensibilidades, e […] uma boa restauração é a que satisfaz o maior número de sensibilidades."

Dito isso, posso afirmar que Jerusalém, além de ser uma das mais antigas cidades do mundo, é também aquela que atende o maior número de sensibilidades. Considerada sagrada e chamada de terra santa é reverenciada pelas três maiores fés monoteistas do mundo: o judaismo, o cristianismo e o islamismo.

Em dezembro de 1996 estive com um grupo de arquitetos fazendo a peregrinação em Jerusalém. O primeiro pensamento que tive ao observar o envolvimento das pessoas com o local foi:

"esta terra não tem "nada". Não tem ouro, não tem diamante, não tem petróleo, não tem terra fértil mas todos brigam por ela, todos querem estar nela."

A cidade de Jerusalém muito mais do que uma terra para ser explorada é um local de rememoração e evocação.

Ainda  palavras de Viñas:

"Os Objetos de Restauração não são primordialmente objetos materialmente úteis […] são objetos rememoradores. Como tal, não são necessariamente importantes por si mesmos, e sim pelo que são capazes de evocar"


A cidade amuralhada de Jerusalém é dividida hoje em 4 bairros sendo eles: (bairro cristão, judeu, muçulmano e armênio).

No bairro muçulmano encontramos o Domo da Rocha. Mesquita construida sobre a pedra que, segundo o alcorão, foi onde Maomé ascendeu aos céus. Esta mesma pedra é também reverenciada pelos cristãos e judeus pois, segundo a bíblia, foi onde Abraão provou sua fé a Deus.




No bairro judeu encontramos o muro das lamentações, único vestígio do templo de Salomão e local mais próximo onde o povo judeu consegue chegar da pedra de Abraão localizada, como dissemos acima, na mesquita do bairro muçulmano.




No bairro cristão encontramos a igreja do Santo Sepulcro onde temos o túmulo de Jesus e o lugar da crucificação. 



Caminhando pela cidade antiga, pode-se também fazer o percurso da via dolorosa.


Em 1981 a cidade amuralhada de Jerusalém foi considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco e hoje se encontra também na lista dos Patrimônios em perigo.

Vale, para finalizar esse texto, citar a frase de Ruskin que já consta na barra lateral do blog:

"nós podemos viver sem ela [arquitetura] e orar sem ela, mas não podemos rememorar sem ela"



Vista de edificações modernas: respeito ao gabarito da cidade (altura da construção) e ao acabamento externo. 


* imagens acervo pessoal


por Cristiane Py - www.cristianepy.com.br

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