terça-feira, 19 de junho de 2018

Frase inspiradora:

"O dilema das proteções à arquitetura moderna adveio das dificuldades de considerá-la passado. Um dos pontos nodais é o aparente paradoxo de se preservar uma arquitetura postulada para romper com as tradições. No entanto, tratá-la como patrimônio não significa decretá-la ultrapassada. Significa, ao contrário, entendê-la como parte viva e importante de nossa cultura contemporânea e enfrentar o desafio de compreender a relação entre os conceitos originais que a nortearam e sua utilização no presente"

Flávia Brito do Nascimento
Blocos de Memórias. 
Habitação social, arquitetura moderna e patrimônio cultural.
pag. 440

Postado por Cristiane Py

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Em 2016 fizemos um post sobre a visita técnica que a turma do CECI realizou, no ano de 2015, no canteiro de obras do Forte de Santa Cruz de Itamaracá.

Após 2 anos, eis que eu vejo, na rede social, fotos da obra concluida.

Quem postou as fotos foi minha colega do curso de especialização do CECI e arquiteta do IPHAN/PE  Márcia Hazin.

Infelizmente o Forte ainda não está aberto para o público, mas compartilho com vcs as fotos da obra finalizada.

*imagens Márcia Hazin - arquiteta IPHAN/PE

Postado por Cristiane Py


segunda-feira, 28 de maio de 2018

Segue a dica: Leonardo Da Vinci de Walter Isaacson

Já falamos em outros posts quais são os valores que tornam um bem um patrimônio cultural. Sabemos que não são só valores históricos e estéticos, mas também valores cognitivos, formais, afetivos, pragmáticos, éticos e simbólicos. Se faz necessário conhecer não só a história, mas localizar o bem em sua época, sua passagem no tempo e entender o porquê de suas particularidades e seus valores.

Vários livros de autores renomados na área destrincham diversas questões que nos ajudam a entender esses valores. Podemos citar, por exemplo, o livro História da arte como história da cidade de G. C. Argan. É uma leitura difícil. Eu mesmo li 3 vezes, já fichei e mesmo assim sinto que preciso rever o texto novamente.

Mas o livro Leonardo da Vinci de Walter Isaacson, é uma leitura tranquila e muito interessante. O autor, que também escreveu a biografia de Steve Jobs da Apple, conta em detalhes a vida, do nascimento à morte, do artista renascentista Leonardo Da Vinci. 

O que torna a leitura extremamente agradável é o olhar do autor para a pessoa em questão. Um olhar de biógrafo, que consegue passar aos leitores o porquê de Leonardo ser considerado um dos maiores artistas renascentistas (se não o maior), como também o porquê de suas obras, como Mona Lisa, A Última Ceia, São João Batista entre outras, serem consideradas obras primas.

O livro fala como era o trabalho de Leonardo no ateliê, seus sonhos, suas expectativas, sua vida pessoal, como também da época do renascimento. Época que, com o surgimento da imprensa, permitiu que o conhecimento pudesse ser compartilhado por muitas outras pessoas, muito semelhante ao surgimento da internet nos nossos tempos.

Fica aqui a dica e aguardo comentários pós leitura!

*imagens da autora

Postado por Cristiane Py

sexta-feira, 13 de abril de 2018

Restauro Urbano - O projeto do SESC 24 de maio

No post A importância do diálogo nas intervenções de restauro - Parte III,  falamos sobre o projeto Carré d'Art, Museu de Arte Contemporânea, de autoria do escritório Foster+Partners. Localizado na cidade de Nimes na França, o museu, inserido em um tecido e ambiência histórica, respeitou e dialogou com o seu entorno demonstrando como uma arquitetura contemporânea pode se integrar ao sítio histórico sem abrir mão da sua atualidade.

Mas não precisamos ir tão longe para encontrarmos bons exemplos de projetos contemporâneos  inseridos em tecidos urbanos históricos. A nova unidade do SESC - Serviço Social do Comércio, localizada em uma esquina na rua 24 de maio no centro antigo de São Paulo, é, ao meu ver, um dos melhores exemplos de restauro urbano.

Vale lembrar que essa área do Centro Histórico de São Paulo, além de ser exclusiva aos pedestres, é marcada por conter várias galerias que cruzam os quarteirões e se misturam com o tecido urbano. Podemos citar a tão famosa Galeria Olido,  a Galeria Presidente, a Galeria P. Monteiro, o Boulevard do Centro e a conhecida Galeria do Rock, todas elas no entorno próximo ao SESC.

Entrada da Galeria Olido pela Av. São João
Galeria Presidente, localizada em frente ao SESC 
Vista do SESC a partir da Galeria Presidente
Galeria R. Monteiro localizada ao lado do SESC
Galeria do Rock com acesso pela Av. São João e rua 24 de maio
Boulevard do Centro, também no entorno do SESC


O projeto, de autoria do escritório Paulo Mendes da Rocha + MMBB Arquitetos, consistiu em uma grande reforma com aumento de área em uma edificação, sem valores culturais, que antes era ocupada por uma loja de magazine. A nova arquitetura tirou partido e resgatou os valores das antigas galerias, fazendo o SESC não só se abrir e convidar São Paulo para adentrar, como também ser um ponto de partida para a revitalização do abandonado Centro Histórico de São Paulo.


A esquina agora ocupada com a nova unidade do SESC
O andar térreo aberto para a cidade. Resgatando os valores das antigas galerias
Rampas dão acesso aos andares superiores fazendo a circulação aberta do térreo se prolongar por todo o conjunto
Espaços livres dos andares superiores. Áreas de descompressão no agitado Centro Paulistano
Não só o térreo se abre para a cidade.
Sistemas de sprinklers. Alternativa para o combate a incêndios nas rampas não enclausuradas. 
Áreas abertas em todo o conjunto

* imagens da autora - abril de 2018
Postado por Cristiane Py

quinta-feira, 22 de março de 2018

Cidade histórica e acessibilidade - o exemplo do Pelourinho, Salvador (BA)



Tanto a preservação do patrimônio como os direitos de acessibilidade percorreram longas trajetórias (ambas iniciadas há mais de 200 anos) até chegarem, respectivamente, na Carta de Veneza de 1964 e na Declaração dos direitos humanos das pessoas deficientes em 1975.

No Brasil, a primeira norma de acessibilidade, a NBR9050, foi redigida em 1985 mas só após 18 anos (2003) o IPHAN promulga a Instrução Normativa n. 1 sobre acessibilidade em bens tombados.

O Projeto piloto de rotas acessíveis no Pelourinho (que usou como referência um projeto já implantado em Olinda - PE) teve início no ano de 2011 demonstrando que os universos da preservação do patrimônio e da acessibilidade hoje caminham juntos e que o debate não fica mais  limitado entre os campos da preservação ou da acessibilidade, nem tampouco entre as pessoas que prezam pela preservação ou as pessoas que necessitam de acessibilidade, mas sim entre duas disciplinas cujas as diferenças metodológicas sempre poderão resolver-se no plano dialético ou entre dois universos ou sistemas que, segundo Niklas Lehman, operam com base na comunicação.

Abaixo várias imagens da rota acessível do Pelourinho que demonstram como um projeto bem elaborado pode sim atender a essas duas questões: Preservação do Patrimônio e inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais em sítios históricos.

guias rebaixadas e piso diferenciado nas travessias
Vagas especias demarcadas no último piso do estacionamento com acesso direto e acessível ao centro histórico
Saída do estacionamento, já com ligação na rota acessível que percorre o sítio histórico.
calçada acessível desde o estacionamento
calçada com piso adequado e largura suficiente para atender usuários de cadeira de rodas. Vejam que o projeto não prejudicou o ambiente histórico.

guias rebaixadas e piso das travessias com as pedras niveladas


com recente obra de restauração, a Igreja de São Domingos hoje possui  acessibilidade.
projeto de Lina Bo Bardi teve suas pedras mantidas mas niveladas
rampas acessíveis permitindo  a vista para o Pelourinho


Para mais informações sobre o plano piloto do pelourinho, acesse Projeto Piloto de Acessibilidade, Centro Histórico de Salvador

*imagens da autora - nov 2017
Postado por Cristiane Py

terça-feira, 13 de março de 2018

Frase Inspiradora:

" Assim, as ciências históricas, em sentido lato, incluindo toda uma parte das ciências sociais, enraízam-se, de modo mais ou menos consciente, na convicção de que a história pesa mais em nossas vidas quando a ignoramos. Conhecer sua história é, consequentemente, trabalhar para a própria emancipação, de modo que o ideal democrático da liberdade de pensamento e da autonomia não possa evitar uma passagem pelo conhecimento histórico, nem que seja para abordar o presente com menos preconceito."

Luc Ferry, Aprender a Viver, filosofia para os novos tempos, pag. 217

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Memórias Preservadas



"Os azulejos portugueses, no balcão sob a janela, seduziram a minha avó e a convenceram a comprar esta casa, nos anos 50. Depois que ela faleceu, em 2004, eu decidi morar aqui, mesmo sabendo que os espaços precisavam se adaptar aos dias de hoje. A questão é que eu não queria descaracterizar o imóvel e perder as histórias da família, que me faziam olhar cada canto com carinho. Como os azulejos também me encantavam, eu os restaurei. A fachada mudou de cor, mas continua com os ornatos brancos de concreto. Graças às sugestões da arquiteta Cristiane Py, os ambientes ganharam luz natural e atrativos como a lareira. Ela transformou o segundo pavimento em área de lazer com ôfuro e churrasqueira. Eu ainda não sou casado nem sou pai, mas ficaria satisfeito se meu filho passasse por aqui".

Alexandre David em depoimento para revista Arquitetura & Construção junho de 2009.


São Paulo é uma cidade que está envelhecendo, e a revitalização e restauro das edificações se faz importante não só para as construções antigas se adaptarem aos novos tempos, mas também para manter as memórias preservadas.

O olhar do arquiteto voltado para os valores cognitivos, formais, afetivos, pragmáticos e éticos  para as antigas edificações é o primeiro passo para um projeto que não apague nossa história.

Abaixo seguem imagens dessa morada restaurada e revitalizada na Vila Beatriz em São Paulo e que foi destaque em matéria na revista arquitetura&construção.

Detalhe do balcão de azulejos que encantou a avó do novo morador e foi restaurado
Vista do balcão de azulejos para o jardim
Detalhe da lareira. O duto para escoamento da fumaça foi feito externamente e aparente. Pintado de branco ele se integrou a fachada.


Ôfuro construido no anexo da casa, sobre a garagem e com acesso direto para a sala íntima do pavimento superior. Aqui o projeto optou em demolir parte do andar superior do anexo para "desafogar" a construção principal e criar a área de lazer com churrasqueira e ôfuro.
Vista da fachada principal.
O telhado foi restaurado e, com as novas tecnologias da engenharia, uma laje foi construída sob o telhado em substituição ao forro de estuque sem a necessidade do seu desmanche.
Copa integrada com a cozinha. Ampliação da janela com vista para o jardim social
Detalhe da caixa de correio. 
Detalhe da porta principal. Vão, soleira e ornatos foram mantidos os originais. A nova porta permite iluminação natural. O vidro frontal protege a madeira dos cachorros.
Área de lazer no segundo pavimento da edícula.
Detalhe do projeto paisagista com piso em mosaico português. Resgatando as memórias.
Gradil de ferro que permite a integração do jardim da residência com a cidade. Resgatando os valores da cidade-jardim
A parede lateral da escada foi removida e uma abertura no hall superior permitiu iluminação natural em uma área que antes era enclausurada.




*imagens da autora
Postado por Cristiane Py