terça-feira, 5 de abril de 2016

Encontro Professores TR


No último sábado, 2 de abril de 2016, foi realizado um encontro dos professores de Técnicas Retrospectivas e Restauro do Patrimônio Arquitetônico e Urbanístico, organizado pelo CAU/SP.

O evento foi realizado na sede do Arquivo Histórico Municipal de São Paulo, edificação do arquiteto Ramos de Azevedo localizado em frente ao Parque da Luz. O local já foi inspirador!

A disciplina, conhecida como TR, passou a ser obrigatória na formação do profissional arquiteto a partir de 1994. Eu pertenço a uma geração de profissionais que, infelizmente, não recebeu uma formação básica no curso de graduação para desenvolver projetos em edificações pré existentes reconhecidas como Patrimônio Cultural.

A idéia do GT (grupo de trabalho) do Patrimônio Histórico do CAU/SP, através desse encontro, é obter informações do conteúdo da disciplina nas diversas entidades e discutir se a formação do profissional é apta para atuação no campo do Patrimônio Histórico.

Após análise de questionários (enviados às faculdades), apresentações e debates dos professores e ouvintes do encontro, podemos sintetizar:

- a maioria das faculdades não respondeu ao questionário enviado pelo CAU/SP.
- a disciplina ainda é vista, principalmente pelos cursos privados, como a última a ser resolvida e tratada como exceção.
- as matérias optativas referente ao tema são pouco procuradas pelos alunos.
- nos trabalhos de conclusão de curso (TFG) o incentivo é dado para projetos novos desmerecendo os trabalhos em pré-existentes. 
- na Itália, ao contrário do Brasil, já existe uma disciplina própria de levantamento técnico e inventário.
- há a necessidade de incentivar viagens de estudo.
- enfoque equivocado e errôneo no título da disciplina. Não é só formação técnica, mas também conhecimento teórico, humanístico e crítico.
- o pouco tempo disponível na disciplina (um ou dois semestres) é insuficiente para passar todo o conhecimento necessário. Os professores então desenvolvem um conteúdo de forma a sensibilizar os alunos perante o Patrimônio.
- a disciplina não se aprofunda em projetos.
- a fiscalização dos orgãos competentes ao trabalho do profissional arquiteto percebem que os mesmos não sabem executar o serviço.
- há pouca oferta de estágios na área sendo o poder público o grande formador dos profissionais (64%).
- há falta de discussão referente à conservação preventiva.
- importante propagar a importância da memória. Toda a cidade é histórica!
- falta de mão de obra especializada para atuar em obras de restauro.
- incentivo à importância de trabalhar com o pré-existente.
- Na Universidade Columbia nos Estados Unidos há a opção do 6o ano de curso, tornando-se o arquiteto também mestre especialista em restauração.
- Na UNISANTOS a disciplina faz parte da cadeira de projetos pois "Restauro é projeto".

Participou do encontro o Presidente do CAU/SP Gilberto Belleza; a coordenadora GT PH/CAU/SP Cássia Magaldi; as professoras Beatriz Kuhl (FAU-USP), Rosio Sacedo (UNESP Bauru), Marcos Carrilho (Mackenzie), Cassia Magaldi (UNISANTOS) entre outros.





* imagens da autora

por Cristiane Py - www.cristianepy.com.br

2 comentários:

  1. Recebi um Informe sobre o assunto, mas como foi em cima da hora, não houve condições de me ausentar sem agendamento prévio. Tentei entrar em contato para saber se haveria possibilidade de participar em vídeo através do hangout do Google (ferramenta muito em uso atualmente). Gostaria ter participado, pois tenho severas críticas à Academia quanto ao tema e sugestões factíveis de viabilização.

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    1. Caro Professor Tinoco,

      Caso queira, pode utilizar o espaço do blog para expor suas sugestões!

      O Blog está aberto a todos os interessados na Preservação do Patrimônio Edificado.

      abs

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